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Por que criar Jersey?

publicado em:20/04/20 7:57 PM por: addesenv_wp29 Gado Jersey

Eu era criador de holandês quando ganhei do meu irmão 10 novilhas Jerseys,  gauchas, em 1985. E com as duas raças eu pude verificar que a nossa Jersey realmente era a pequena notável como falam; nos períodos de seca, nos incêndios que ocorreram algumas vezes em nossa fazenda sempre foi muito mais fácil manter as Jerseys com suas produções e escore corporal do que as holandesas e porque isto?

É uma longa história que começou em  1763, quando por um decreto lei o governo da ilha de Jersey proibiu a entrada de qualquer animal vivo, que pudesse transmitir doenças aos seus bovinos e este decreto, por incrível que pareça, está válido até os dias de hoje; quando um animal Jersey sai da ilha para exposições ou outro fim, não pode retornar, tem que ser vendido.

Com o passar dos anos,  no dia 4 de Abril  1866 i. é há 153 anos foi criado o Herd Book da raça Jersey; oficializando e dando credibilidade às anotações que os criadores já faziam da filiação de seus animais. 

Uma das mais importantes ferramentas de que dispomos, quando registramos nossos animais e recebemos o seu pedigree, não só teremos isenções nas vendas e compras interestaduais, mais principalmente temos ali toda a família de nossa vaca ou touro para sabermos como continuar a partir dali melhorando nossos animais.

Só para ilustrar a vocês, ainda nos anos 80 um criador mineiro, Fernando Eiras, que só criava linhagens inglesas viu que no futuro, um componente do leite até então pouco analisado e acompanhado seria o item mais importante em sua composição; a Proteína.

O Fernando então começou a fazer os seus cruzamentos sempre buscando a proteína, analisando os seus registros e baseado em informações da Ilha de Jersey e da Inglaterra das linhagens que se destacavam neste particular, naquele países e obteve muito sucesso neste seu desafio mais, ele só conseguiu este feito porque dispunha dos elementos  necessários, os registros, de todo o seu rebanho, para chegar onde queria. E hoje sabemos como a proteína é valorizada pelos laticínios.

Outro fator, muito importante, que temos através dos registros é evitar a consanguinidade; está demonstrado que, para as raças Jersey e  holandesa,  a consanguinidade é um fator limitante para a produção de leite. Hoje ainda temos outro item a nos ajudar que é o genoma, que permite utilizarmos touros comprovados, bem novos, o que permite trabalharmos para abrir, cada vez mais o sangue do nosso rebanho.

 E assim muitas outras histórias de sucesso nos acasalamentos buscando produção ou tipo se valeram deste importante instrumento que é o registro, motivo pelo qual ele é de suma importância para os criadores que querem evoluir na nossa raça.

Em sã consciência, nunca deveríamos acasalar uma animal sem saber o que a fêmea e o macho tem nos seus antecedentes. Muitas vezes queremos melhorar uma coisa simples como a produção de leite,  a altura do úbere, a fertilidade das filhas o tamanho dos tetos etc e só podemos fazer isto conhecendo a genealogia dos nosso rebanho e do touro que vamos utilizar. Mesmo com esta moderna ferramenta de que hoje dispomos, o genoma, precisamos conhecer a genealogia dos animais para evitar a consanguinidade. 

Concluindo, não podemos deixar de usar esta ferramenta, em nosso benefício e em benefício da raça Jersey.

Aqui no Brasil os primeiros animais da raça Jersey chegaram em 1896, através do embaixador do Brasil na Inglaterra  à época J. F.  Assis Brasil, na sua fazenda de Pedras Altas, no Rio Grande do Sul, deu início ao seu criatório e ao embrião do Herd Book da raça  no Brasil. 

Em 1938, foi fundada, no Rio de Janeiro, a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil que, a partir de 1954, passou a responsabilizar-se  pelo Herd Book da raça, que depois de Pedras Altas estava aos cuidados da Secretaria da Agricultura do RGS.

E foi um amor a primeira vista dos criadores brasileiros com a vaca Jersey e por quê? 

Pela sua eficiência, senão vejamos:

O confinamento da raça Jersey, nos pouco mais de 11.000 hectares da Ilha de Jersey não permitia um rebanho maior do que no máximo 10.000 cabeças e já obrigava os criadores a selecionar bem seus animais

 Porém a maior contribuição veio nos últimos 6 meses da segunda guerra mundial,   devido à ocupação nazista; até então a carne para o exercito  vinha, preferencialmente  da Alemanha e da França;  com a ocupação destes 2 países, apesar de não verem a carne Jersey com bons olhos devido a sua gordura muito amarela, eram abatidas 40 cabeças por semana para alimenta-los e  os criadores agiram da seguinte forma, se o rebanho da vez, cada rebanho cedia 5 cabeças por semana, em rodízio, tivesse só animais considerados classe A, o criador que tivesse animais classe B ou C cedia os seus animais para o abate e recebia os cinco classe A, que estavam na vez do sacrifício.

Para um rebanho, pequeno, fechado desde 1763,  já bem selecionado  e com mais esta seleção, forçada, os animais restantes realmente eram especiais;  mostrando mais ainda a sua eficiência racial .

A sua eficiência permite ao criador ganhar mais dinheiro com ela, senão vejamos:

Elas são mais precoces que as demais raças e reproduzem muito mais cedo( 1º. Cio aos 10/12 meses) deixando de frequentar a fazenda como um hotel e passando a ajudar a pagar as contas, o seu retorno ao novo cio se dá em no máximo 110 dias, pós parto; ela emprenha mais fácil que as outras raças e raramente dá trabalho para parir. E o melhor, mesmo com esta precocidade no 1º. Parto, isto não impede que ela continue a se desenvolver em tamanho e produção.

Ela é muito longeva e comumente vemos animais com 13/15 anos ou  mais dando uma cria por ano  e suportando muito bem qualquer tipo de clima.

Com 100 litros de leite, o da vaca Jersey produz 20% mais de queijo muzzarella e 32% mais de manteiga do que a raça holandesa.

O soro do leite Jersey  além de conter inúmeras propriedades que permite a fabricação de muitos outros produtos além da bebida láctea de alta qualidade, produz a lactose muito usada na composição da  alimentação infantil.

 Na Índia, um pais ainda hoje com sérios problemas alimentares,  a sua produção de leite aumentou significativamente com o cruzamento de seu rebanho com  touros Jerseys.

O novilho Jersey produz uma das  carnes mais macias do mundo e tem também o maior índice de marmoreio entre todas as raças; 

Tenho certeza que só estes poucos itens aqui citados, demonstram as inigualáveis qualidades da nossa vaca Jersey.

Encerrando gostaria de frisar que o gado Jersey vale a pena, ele paga as suas contas.

O gado  registrado vale mais ainda por termos a sua genealogia; o bezerro macho; se criado para abate, produz uma carne de primeira qualidade e quando cruzado com outras raças, como o holandês, melhora todas as qualidades desta raça, aumentando a sua eficiência.

Escrito por: Luciano P. Junqueira




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